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Os impactos eleitorais da desistência de Joaquim Barbosa

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Política e economia andam juntas. Por essa razão, a Levante convidou Marcelo Castro e Eric Balbinus, integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre), para escrever um newsletter semanal sobre temas políticos que podem afetar à área financeira como um todo. Dos investimentos, o Ibovespa, a cotação do dólar, a forma como investir na Bolsa, entre outros. Esta é a quinta edição, que fala sobre os impactos eleitorais da desistência de Joaquim Barbosa. Para receber diretamente no seu e-mail, cadastre-se aqui.

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa declarou nesta semana a sua desistência à corrida eleitoral deste ano, ainda que nunca tivesse confirmado que tinha, de fato, a intenção de se candidatar. A decisão do agora ex-presidenciável, que surpreendeu mais pelo timing– esperava-se uma desistência mais tardia – do que pelo fato em si, gera uma série de consequências no atual cenário eleitoral.

Entre elas, quem de fato receberá os espólios eleitorais da desistência de Joaquim Barbosa?

Quem realmente sairá ganhando?

A decisão da desistência de Joaquim Barbosa foi comunicada pela nova forma favorita dos poderosos de todo o mundo, o Twitter, em oposição às tradicionais coletivas de imprensa, e gerou em questão de minutos uma série de declarações e notas plantadas na imprensa dos demais postulantes ao cargo majoritário: todos alegando terem saído vitoriosos.

  1. Geraldo Alckmin, segundo publicações, estaria em êxtase com os impactos eleitorais da desistência de Joaquim Barbosa, pois seria a sua chance de finalmente crescer nas pesquisas avançando sobre o eleitorado de centro;
  2. Marina Silva diz que ganhou porque ficará com grande parte do eleitorado de centro-esquerda do ex-candidato;
  3. Ciro Gomes acha que ganhou porque angariará a parcela mais à esquerda do eleitorado;
  4. Flávio Rocha canta vitória por conseguir o eleitorado em busca de um outsider.

Quem deles realmente ganhou?

Voto ideológico?

O voto em Joaquim Barbosa, ao contrário do que pensam Ciro Gomes e Marina Silva, não é um voto ideológico, até porque o ex-ministro jamais expôs de maneira clara quais as suas posições em questões que estão no centro do debate hoje, sejam econômicas, sejam sociais.

À exceção de tweets esparsos e decisões tomadas no plenário da suprema corte há cerca de uma década, não há muito o que se inferir sobre a ideologia de Joaquim Barbosa.

Portanto, não faz sentido pensar que o ex-ministro tenha criado algum tipo de simpatia ideológica neste período. Erra ainda, ou finge errar, Geraldo Alckmin, ao acreditar que o principal driver de um eventual voto em Barbosa seja uma posição ideológica de centro, buscando o equilíbrio na polarização dos últimos anos. Estes três, sem dúvidas, saíram perdendo.

Em busca de um outsider

O potencial eleitor de Joaquim Barbosa estava em busca de algo muito mais simples: um outsider, alguém sem os velhos vícios da política e com um padrão de moralidade, ao menos em teoria, elevado. Acerta um pouco Flávio Rocha, empresário e defensor do livre mercado, que possui os mesmos drivers, mas vitorioso mesmo, para o bem ou para o mal, sai, neste primeiro momento, o outro JB, Jair Bolsonaro.

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