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O fim do oba-oba e o início do período de incerteza eleitoral

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Política e economia andam juntas. Por essa razão, a Levante convidou Marcelo Castro e Eric Balbinus, integrantes do MBL, para escrever uma newsletter semanal sobre temas políticos. Esta é a terceira edição. Para receber diretamente no seu e-mail, cadastre-se aqui.

Ninguém parecia ter dúvidas ao longo dos últimos dois anos de que em outubro próximo o Brasil teria o seu grande “season finale” do processo de impeachment de Dilma Rousseff com uma triunfal eleição de um candidato liberal economicamente, com pautas mais ligadas à direita. E com razão: nada indicava o contrário.

Sinais da guinada da direita

Neste período, eclodiram em todo o mundo sinais de guinadas eleitorais à direita: na nossa vizinha Argentina, Maurício Macri se elegera deixando para trás décadas de Peronismo e Kirchnerismo. Nos Estados Unidos, Trump surpreendeu e ganhou as eleições com um discurso um tanto quanto nacionalista, mas ainda liberal economicamente. Mesmo na França, país com longo histórico de governos mais inclinados à esquerda, Emannuel Macron, de inclinações de centro-direita, sucedeu o socialista François Hollande.

Os sinais não paravam por aí. A onda do antipetismo parecia ter tomado conta do Brasil de Norte a Sul nas eleições de 2016, com prefeitos mais inclinados à esquerda tendo derrotas acachapantes nas maiores cidades do país. A prisão de Lula animara investidores. Previsões feitas por grandes gestores de que a Bolsa renovaria máximas constantemente este ano eram frequentes, e quem discordasse era quase taxado de louco. Tudo isso passou, porém.

Banho de água fria

A última pesquisa Datafolha caiu como um banho de água gelada no otimismo que tinha tomado conta do Brasil. Amargando um quinto lugar e com uma queda significativa em relação à pesquisa passada, aparecia o primeiro candidato que agrada ao mercado: o insosso Geraldo Alckmin. Nas quatro primeiras posições, apareciam Jair Bolsonaro, Joaquim Barbosa, Ciro Gomes e Marina Silva, todos apontados como um grande risco para a continuidade do governo reformista de Michel Temer.

O clima de vitória nas eleições tomou conta de forma tão exacerbada do país que esqueceram de fazer o básico: achar um candidato viável com o perfil desejado. O otimismo dos brasileiros neste ano pode acabar, quatro anos depois, com outro – ainda mais trágico – 7 a 1.

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