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Nossa ruína vem da incerteza das eleições

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Política e economia andam juntas. Por essa razão, a Levante convidou Marcelo Castro e Eric Balbinus, integrantes do MBL, para escrever uma newsletter semanal sobre temas políticos. Esta é a quarta edição, que fala sobre a incerteza das eleições. Para receber diretamente no seu e-mail, cadastre-se aqui.

As pesquisas eleitorais se mostram cada vez mais confusas: os cenários em que o ex-presidente Lula aparece como candidato registram a prevalência do petista, que ainda detém uma parcela significativa do eleitorado. Tanto Datafolha quanto Ibope e Paraná Pesquisas classificam o petista como o preferido do eleitorado, com uma margem de 20% na média.

Com ou sem Lula?

O problema aqui é claro: nos cenários em que Lula não aparece como candidato, quem lidera é o deputado Jair Bolsonaro – que chegou a pontuar 20,5% das intenções de voto contra 12,0%, de Marina Silva no levantamento publicado pelo Paraná Pesquisas na última quinta. Mas não é ele o maior beneficiado pela ausência de Lula: o ex-ministro Joaquim Barbosa consegue fazer um recall de sua atuação no julgamento do Mensalão ao mesmo tempo em que não abre mão de promessas populistas que lembram em muito a plataforma petista. No entanto, a mesma pesquisa sugere que uma expressiva parte do eleitorado não pretende votar em nenhum dos nomes que se apresentaram até agora. Estamos falando de 17,5% dos entrevistados. Não é nem de longe uma parcela desprezível.

Lula, Bolsonaro, Marina Silva e Joaquim Barbosa representam o time da promessa fácil e sem lastro algum em um projeto coeso de gestão pública. Rejeitam as reformas estruturais, apostam em discursos polarizadores e no messianismo. Destes, Lula é de longe o mais hábil, já que conta com o fato de já ser conhecido (para o bem ou para o mal). Mas Lula não está mais entre nós, deixando para trás um cenário onde 61,2% dizem que não votarão em alguém apoiado por ele. O mesmo cenário mostra que o público tem a percepção de que Marina Silva é herdeira natural do petismo, enquanto Joaquim Barbosa levanta a bandeira da ética oca própria dos demagogos de esquerda: diz ser contra a corrupção, enquanto deseja manter exatamente as mesmas estruturas que deram terreno aos planos criminosos do petismo.

Cenário político em ruptura

O vendaval provocado pela Operação Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão do ex-presidente Lula representam uma grande ruptura no cenário político brasileiro, um processo de grandes proporções que ainda não se consolidou. Por conta disso, o cenário ainda parece confuso, com candidatos populistas de direita e esquerda despontando como preferidos nas pesquisas. No entanto, os números sugerem que não é exatamente este o desejo da população. Os extremos só estão na vantagem porque os moderados da centro-direita ainda não apresentaram uma proposta coerente.

Está clara qual é a causa da nossa ruína momentânea: ela vem da incerteza do cenário eleitoral. Se é verdade que ainda é prematuro fazer conjecturas ou cravar nomes por ainda estarmos no mês de maio, também é verdade que normalmente se aponta para algum caminho prévio antes da corrida eleitoral propriamente dita. É o que movimenta tanto o mercado propriamente dito quanto o mercado da política para alguma solução, bem diferente do atual momento dessa tempestade de areia em que nos metemos, onde a tão aguardada alternativa ainda não se pronunciou como viável ou visível.

Leia também: Eleições 2018 e a busca por outsiders
– É preciso dizer a Barbosa que acenos não bastam
– O fim do oba-oba e o início do período de incerteza eleitoral

Eric Balbinus, Bacharel em Relações Internacionais e pós-graduando em Ciência Polícia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, é autor do blog O Reacionário.

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