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É preciso dizer a Barbosa que acenos não bastam

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Política e economia andam juntas. Por essa razão, a Levante convidou Marcelo Castro e Eric Balbinus, integrantes do MBL, para escrever uma newsletter semanal sobre temas políticos. Esta é a segunda edição. Para receber diretamente no seu e-mail, cadastre-se aqui.

O portal Infomoney destacou na quinta-feira que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa resolveu fazer “acenos” ao mercado financeiro. O primeiro dos “acenos” foi uma tentativa de encontro com Armínio Fraga. Outros encontros já teriam ocorrido com Delfim Neto e Eduardo Gianetti da Fonseca. A intenção do pré-candidato do Partido Socialista Brasileiro é formular um programa econômico para seu governo, algo que agrade ao mercado e, ao mesmo tempo, contemple as convicções do presidenciável e de seu próprio partido.

Reside aqui um problema no mínimo espinhoso: o PSB de Barbosa é o mesmo PSB que apoiou Lula e Dilma Rousseff. De forma coerente, os socialistas imaginam uma economia que proporcione protagonismo do Estado, bem-estar social e políticas de redistribuição de renda. Nem de longe se imagina um bom ambiente de negócios, algo visto por eles como próprio de tiranias neoliberais como Estados Unidos, Suíça, Austrália e Reino Unido.

Movimento à esquerda

Embora a política abra precedentes (o próprio PSB está repleto de indivíduos que nem de longe são de esquerda), o fato é que o partido adotou uma inclinação radical após o impeachment de Dilma Rousseff. Além de se colocar contra as reformas estruturais elaboradas pelo governo Michel Temer, o PSB ainda se colocou politicamente contrário a prisão do ex-presidente Lula. Importantes lideranças entenderam que o momento era propício para um reavivamento marxista, o que fez com que o partido de Eduardo Campos se aproximasse justamente do velho partidão, do qual brotou sua militância antigetulista.

Não obstante, o próprio Joaquim Barbosa não é um sujeito que seja pessoalmente um amigo dos mercados e da livre iniciativa. Ele próprio confirmou em diversas ocasiões seu apreço pelos governos petistas e pelas suas plataformas de governo. Para quem bem se lembra, foram estas soluções que encaminharam o país para a rota da miséria.

A possível ascensão do ex-ministro do STF e a possibilidade de herdar tantos votos que iriam para Lula como dos descontentes com a classe política não é um bom sinal, já que Barbosa nunca foi conhecido por sua capacidade de negociar (a exceção foi a campanha que fez para viabilizar o próprio nome para a corte, incluindo conversas ao pé do ouvido de Frei Betto). Certamente não se imagina que o destemperado Barbosa cederá às suas aspirações socialistas em nome de novas políticas econômicas e reformas na estrutura do Estado.

O problema de Barbosa

Isso deve ser destacado não por preconceito contra a figura de Barbosa, que pessoalmente encarna a trajetória vencedora e meritocrática. O problema está no Barbosa político, aquele que mesmo tão instruído escolheu por quatro vezes votar em Lula e Dilma Rousseff – mesmo sabendo que eram programas de governo inspirados no que há de mais jurássico no Ocidente, como Cuba e Venezuela. Se mesmo com tanta educação e cultura o ex-ministro foi capaz de algo assim, então não há de se esperar que ele agrade ao mercado apenas por conversas pontuais com ministros liberais. O primeiro passo para Joaquim Barbosa é reconhecer que as ideias socialistas representam um atraso e um veneno para a geração de riqueza, e que investidores não são tão ingênuos a ponto de se deixarem levar apenas por aspectos tão incertos e dúbios quanto os “sinais” que o presidenciável emite de forma errática.

Fosse este o caso, Dilma teria convencido o mercado ao escalar o competente Joaquim Levy para a Fazenda. O que se viu, na prática, foi um grande economista encurralado pelo radicalismo delirante do entorno da presidente e da própria mandatária. É por isso que Barbosa deve ser informado que sinais apenas não bastam. É preciso adotar compromissos concretos que estão muito longe de sua realidade. O único sinal que ele tem emitido até agora é que será uma nova Dilma Rousseff, adotando um liberalismo de fachada que nem de longe resolve os problemas do país.

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